Chamada 2019.1

2018-10-23

Processo de trabalho, regulacionistas e a crítica marxiana

O objetivo desta chamada de trabalhos é colocar em discussão a predominância histórica de duas correntes da pesquisa marxista sobre o processo de trabalho nos séculos XX e XXI. Particularmente a partir da década de 1970, desenvolveram-se correntes que deixaram importantes contribuições. De um lado, pode-se atribuir a Braverman o revigoramento da sociologia do trabalho ao trazer para o primeiro plano os aspectos técnicos e gerenciais do processo de trabalho bem como as implicações sobre os trabalhadores da fábrica e do escritório. De outro lado, Aglietta fez época e escola com o desenvolvimento da “teoria regulacionista” que, entre o utras coisas, mobilizou elementos sintetizados no conceito de “regimes de acumulação” como explicativo das modificações no modo de produção capitalista ao longo do século XX. Ambas as correntes deixaram marcas indeléveis, influenciando de maneira incontornável a pesquisa no Brasil e no exterior (considere, por exemplo, Coriat). Bem depois dos anos de 1970, essas influências ainda são bastante visíveis, inclusive no debate internacional que termina por moldar também a pesquisa nacional. Autores como Harvey e Chesnais desfrutam de grande audiência e, em ambos, são identificáveis certos aspectos que lastreiam Braverman e Aglietta. Há, evidentemente, diferenças entre a escola do processo de trabalho e a escola regulacionista. No entanto, em ambos os casos predominam certas tendências problemáticas destacadas por literatura que retoma categorias marxianas como cooperação simples, manufatura e grande indústria. Literatura esta que procura também apreender a efetividade e particularidade do taylorismo/fordismo/toyotismo sem generalizações conceituais a todos os setores econômicos e igualmente a todas as economias nacionais (cf. textos de Benedito Moraes Neto, Eduardo Sartelli, Katherine Stone, Marina Kabat, Nilton Vargas, Stephen Wood etc. que tocam direta ou indiretamente na questão). Essa literatura crítica não recebeu, a despeito de sua retidão, a mesma audiência. Discutir, portanto, a predominância da escola do processo de trabalho e da escola regulacionista é, igualmente, aprofundar as contribuições daquela literatura crítica.

Prazo limite para as submissões: 15 de janeiro de 2019

Editores Convidados: Elcemir Paço Cunha e Ronaldo Vielmi Fortes