Friedrich Engels
circunstâncias muito determinadas. Os momentos econômicos são, em última análise,
decisivos. Mas os momentos políticos, e até mesmo as tradições que permeiam a
cabeça dos homens, também desempenham um papel, embora não seja o decisivo. O
Estado prussiano também surgiu e se desenvolveu por meio de causas históricas e,
em última instância, econômicas. No entanto, dificilmente se pode argumentar, sem
pedantismo, que, entre os muitos pequenos estados do norte da Alemanha,
Brandemburgo estava destinado a se tornar a grande potência na qual as diferenças
econômicas, linguísticas e, desde a Reforma, também religiosas entre o Norte e o Sul
se materializaram, principalmente por necessidade econômica e não por outros
momentos (sobretudo, seu envolvimento com a Polônia por meio da posse da Prússia
e, portanto, com as circunstâncias políticas internacionais — que também foram
cruciais na formação da base de poder austríaca). Será difícil explicar economicamente
a existência de cada pequeno estado alemão do passado e do presente, ou a origem
da mudança fonética do alto alemão, que ampliou a linha divisória geográfica formada
pelas montanhas dos Sudetes ao Tauno em uma ruptura formal na Alemanha, sem
parecer ridículo.
Em segundo lugar, a história se desenrola de tal forma que o resultado final
sempre surge dos conflitos de muitas vontades individuais, cada uma moldada por
uma multiplicidade de circunstâncias de vida particulares; assim, existem inúmeras
forças que se cruzam, um grupo infinito de paralelogramos de forças, dos quais emerge
um resultado — o desfecho histórico — que pode ser considerado o produto de um
poder que, como um todo, age inconscientemente e sem vontade própria. Pois o que
cada indivíduo deseja é bloqueado por todos os outros, e o que emerge é algo que
ninguém intencionou. Assim, a história até o momento procede como um processo
natural e está essencialmente sujeita às mesmas leis do movimento. Mas o fato de as
vontades individuais — cada uma desejando o que sua constituição física e as
circunstâncias externas, em última instância econômicas (sejam elas pessoais ou da
sociedade em geral) a impulsionam a fazer — não alcançarem o que desejam, mas sim
convergirem para uma média comum, um resultado compartilhado, não deve levar à
conclusão de que devam ser consideradas = 0. Pelo contrário, cada uma contribui para
o resultado e, portanto, está incluída nele.
Além disso, gostaria de pedir que estudassem essa teoria nas fontes originais
e não em fontes secundárias; é realmente muito mais fácil. Marx praticamente não
escreveu nada em que elas não desempenhem um papel. Em particular, "O Dezoito
Brumário de Luís Bonaparte" é um excelente exemplo de sua aplicação. Da mesma
forma, há muitas referências a elas em "O Capital". Posso também indicar meus
Verinotio
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ISSN 1981 - 061X v. 31, n. 1, pp. 510-513 – jan.-jun., 2026
nova fase