DOI 10.36638/1981-061X.2026.31.1.809  
Marx sobre a centralidade das periferias para a  
revolução global1  
Marx on the centrality of the peripheries for the  
global revolution  
Marcello Musto*  
Resumo: Este texto apresenta um exame da fase  
final e menos explorada do desenvolvimento  
intelectual de Karl Marx, e sugere uma  
reavaliação de algumas de suas ideias chave.  
Desafiamos a duradoura visão deturpada de  
Marx como um pensador eurocêntrico e  
economicista. O texto reconsidera as ideias de  
Marx à luz de suas observações tardias acerca de  
sociedades não-ocidentais e da crítica do  
colonialismo europeu e mostra como Marx  
Abstract: This text presents an examination of  
Karl Marx’s final and mostly unexplored phase  
of intellectual development and suggests a  
reassessment of some of his key ideas. It  
challenges the long-lasting misrepresentation of  
Marx as a Eurocentric and economistic thinker.  
It reconsiders Marx’s ideas in light of his late  
remarks on non-Western societies and the  
critique of European colonialism and shows how  
Marx avoided economic determinism unlike  
many of his followers. The article shows that  
Marx highlighted the specificity of historical  
conditions and the centrality of human  
intervention in the shaping of reality and the  
achievement of revolution and change.  
evitava  
diferentemente de muitos de seus seguidores. O  
artigo mostra que Marx enfatizava  
especificidade das condições históricas e a  
centralidade da intervenção humana na  
o
determinismo  
econômico,  
a
moldagem da realidade e na conquista da  
revolução e de transformação.  
Keywords:  
Marx;  
Theory  
of  
revolution;  
Communism; Russia; Center-Peripheries.  
Palavras-chave: Marx; Teoria da revolução;  
Comunismo; Rússia; Centro-periferias.  
I. Do centro às periferias  
Assim como muitos outros revolucionários europeus de seu tempo, Karl Marx e  
Friedrich Engels acreditavam que a revolução comunista emergiria em um dos países  
onde o capitalismo tinha transformado grande parte da população em trabalhadores  
assalariados, gerando condições de exploração e miséria tão intoleráveis que a  
rebelião teria se tornaria necessária. Ainda antes da revolução da Comuna de Paris,  
Marx havia afirmado que, muito provavelmente, o movimento que derrubaria a ordem  
existente começaria na França, o epicentro desde 1789 das mais relevantes  
mobilizações sociais e transformações políticas na Europa. No entanto, ele estava  
convencido de que somente na Inglaterra, uma nação onde o capitalismo havia  
1
Traduzido do original em inglês (Marx on the centrality of the peripheries for the global revolution,  
Harvard Review of Philosophy, v. XXXI, 2024) por Gabriella M. Segantini Souza, revisão técnica de Vitor  
Bartoletti Sartori.  
*
PhD em filosofia e política na Universidade de Nápoles e na Universidade de Nice. Professor de  
sociologia na York University em Toronto. E-mail: marcello.musto@gmail.com.  
ISSN 1981 - 061X v. 31, n. 1 jan.-jun., 2026  
Verinotio  
nova fase  
   
Marx sobre a centralidade das periferias para a revolução global  
assumido controle de quase todas as esferas da produção, poderia ser levada a cabo  
uma revolução que alteraria radicalmente as relações econômicas e sociais e  
apresentaria uma verdadeira sociedade alternativa.  
As convicções de Marx sobre onde a revolução poderia ter início gradualmente  
tornaram-se mais flexíveis. Já em 1853, no artigo Revolução na China e na Europa,  
escrito para o New York Tribune a fim de analisar os efeitos do colonialismo britânico,  
Marx havia escrito que a insurreição na China poderia “exportar desordem para o  
mundo ocidental” (MARX in MARX; ENGELS, 2010b, p. 98). Ao final da década de  
1860, Marx acreditava que a revolução poderia também começar da periferia do  
sistema. Depois de perceber que, ao invés de fazer uma revolução, a maioria dos  
trabalhadores ingleses preferira tornar-se a “cauda de seus próprios opressores”  
(MARX in MARX; ENGELS, 2010f, p. 475) e depois de ter compreendido a centralidade  
da questão irlandesa, Marx defendeu que o “golpe decisivo contra as classes  
dominantes na Inglaterra” [decisive blow against the ruling classes in England] (MARX  
in MARX; ENGELS, 2010f, p. 475) poderia ser “desferido não na Inglaterra, mas na  
Irlanda” (MARX in MARX; ENGELS, 2010f, p. 475), e que o único caminho para “acelerar  
a revolução social na Inglaterra... era tornar a Irlanda independente” (MARX in MARX;  
ENGELS, 2010f, p. 475). Ele estava firmemente convencido de que um povo que  
subjugava outro apenas fortalecia suas próprias correntes.  
Mesmo diante do final de sua vida, quando foi chamado a expressar sua opinião  
sobre a possível transformação socialista da comuna rural russa, ele afirmou que essa  
era uma opção que não poderia ser descartada a priori. Ele estava de acordo com  
Nikolai Tchernyshevsky (1828-89), um proeminente teórico do populismo  
anticapitalista na Rússia que, em seu ensaio Crítica dos preconceitos filosóficos contra  
a propriedade comum da terra (1859), escrevera que, graças ao amadurecimento de  
certos fenômenos econômicos e sociais em países economicamente avançados, havia  
se tornado possível “[esse fenômeno] se desenvolver mais rapidamente entre outros  
povos e subir de um nível mais baixo direto a um mais alto, passando por cima de  
momentos lógicos intermediários” (TCHERNICHEVSKY in SHANIN, 2017, p. 268). As  
características positivas da comuna rural poderiam ser preservadas se relacionadas às  
conquistas feitas na Europa Ocidental. A comuna rural [obshchina] poderia contribuir  
para o advento de um período de emancipação social para o povo russo desde que se  
tornasse o embrião de uma organização econômica radicalmente diferente da  
existente. Em outras palavras, sem as transformações produzidas pelo capitalismo, a  
obshchina jamais poderia ter se transformado em um novo e moderno exemplo de  
cooperativismo agrícola.  
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Do ponto de vista da política, isso significava que a propriedade comum da  
terra, ainda em vigor nas comunas rurais, não precisava necessariamente ser  
substituída pelo alastramento da propriedade privada, concebido por alguns como um  
passo inescapável para a formação do proletariado urbano. Ademais, através de  
estudos sobre a Argélia por outro teórico russo o sociólogo Maxim Kovalevsky  
(1851-1916) –, Marx havia aprendido que a “individualização da propriedade da terra”  
(MARX, 1977, p. 109) não apenas trouxe enormes benefícios econômicos aos  
invasores franceses, mas também facilitou a realização de um “objetivo político”  
fundamental dos colonizadores: “destruir as bases desta sociedade” (MARX, 1977, p.  
109).  
Contrariamente a uma interpretação hoje popular que tenta retratar Marx –  
apesar das evidências textuais reveladas pelas publicações da nova Marx-Engels-  
Gesamtausgabe e de estudos significativos publicados em anos recentes (cf. MUSTO,  
2020, pp. 407-19; ANDERSON, 2019) como um autor economicista e eurocêntrico,  
para ele a eclosão de uma revolução não dependia apenas da dinâmica econômica. O  
fator político foi sempre o elemento central para a derrubada do sistema. No entanto,  
Marx estava bem ciente de que certas condições materiais específicas eram necessárias  
para a emergência de uma sociedade baseada em princípios socialistas.  
II. O capitalismo é essencial para uma revolução comunista?  
A convicção de que a expansão do modo de produção capitalista era uma  
condição necessária para o nascimento da sociedade comunista percorre toda a obra  
de Marx. No Manifesto do partido comunista (1848), ele e Friedrich Engels declararam  
que as tentativas de uma revolução da classe trabalhadora durante a época da  
derrubada da sociedade feudal estavam fadadas ao fracasso, devido ao então “estado  
embrionário do próprio proletariado, como devido à ausência das condições materiais  
de sua emancipação, condições que apenas surgem como produto da época burguesa”  
(MARX; ENGELS, 2010a, p. 66).  
Explorando as novas descobertas geográficas e o nascimento do mercado  
mundial, a burguesia dera “um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos  
os países” (MARX; ENGELS, 2010a, p. 43). Mais importante ainda, forjou "as armas  
que lhe trarão a morte” (MARX; ENGELS, 2010a, p. 46) e os seres humanos que  
empunhariam essas armas: “a classe trabalhadora moderna – os proletários” (MARX;  
ENGELS, 2010a, p. 46), que estava aumentando no mesmo ritmo em que o capitalismo  
se expandia. Para Marx e Engels, “o progresso da indústria, de que a burguesia é  
agente passivo e involuntário, substitui o isolamento dos operários [labourers],  
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resultante da competição, por sua união revolucionária resultante da associação”  
(MARX; ENGELS, 2010a, p. 51).  
Marx expressou juízo semelhante, mas em uma ótica mais política, no Discurso  
no aniversário do People's Paper (1856). Recordando que forças industriais e  
científicas sem precedentes históricos haviam nascido com o capitalismo, ele disse aos  
militantes presentes no evento que “o vapor, a eletricidade e a máquina de fiar  
automática [self-acting mule] eram revolucionários de um caráter muito mais perigoso  
do que até mesmo os cidadãos Barbes, Raspail e Blanqui” (MARX in MARX; ENGELS,  
2010c, p. 655).  
Nos Grundrisse (1857-58), Marx repetiu várias vezes a ideia de que o  
capitalismo “cria a sociedade burguesa e a apropriação universal da natureza, bem  
como da própria conexão social pelos membros da sociedade” (MARX, 2011, p. 334).  
Neste texto, ele afirma claramente que:  
o capital, de acordo com essa sua tendência, move-se para além tanto  
das fronteiras e dos preconceitos nacionais quanto da divinização da  
natureza, bem como da satisfação tradicional das necessidades  
correntes, complacentemente circunscrita a certos limites, e da  
reprodução do modo de vida anterior. O capital é destrutivo disso  
tudo e revoluciona constantemente, derruba todas as barreiras que  
impedem o desenvolvimento das forças produtivas, a ampliação das  
necessidades, a diversidade da produção e a exploração e a troca das  
forças naturais e espirituais (MARX, 2011, p. 334)2.  
Uma das análises mais minuciosas de Marx sobre os efeitos positivos da  
produção capitalista encontra-se no final do Livro I d'O capital (1867), na seção  
intitulada A tendência histórica da acumulação capitalista. Na passagem em questão,  
ele resume as seis condições engendradas pelo capitalismo particularmente por sua  
centralização e que constituem os pré-requisitos básicos para o nascimento da  
sociedade comunista. Elas são: (1) o processo de trabalho cooperativo; (2) a  
contribuição científico-tecnológica para a produção; (3) a apropriação das forças da  
natureza pela produção; (4) a criação de máquinas que só podem ser operadas em  
comum pelos trabalhadores (workers); (5) a economia de todos os meios de produção;  
e (6) a tendência de criação do mercado mundial. Para Marx:  
Paralelamente a essa centralização, ou à expropriação de muitos  
capitalistas por poucos, desenvolve-se a forma cooperativa do  
processo de trabalho em escala cada vez maior, a aplicação técnica  
consciente da ciência, a exploração planejada da terra, a  
transformação dos meios de trabalho em meios de trabalho que só  
podem ser utilizados coletivamente, a economia de todos os meios de  
produção graças a seu uso como meios de produção do trabalho  
social e combinado, o entrelaçamento de todos os povos na rede do  
2
Para comentários sobre esse texto complexo, cf. Musto (2008).  
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mercado mundial e, com isso, o caráter internacional do regime  
capitalista. (MARX, 2017, p. 832)  
Marx bem sabia que a concentração da produção nas mãos de um número  
menor de chefes aumentou “a massa da miséria, da opressão, da servidão, da  
degeneração, da exploração” (MARX, 2017, p. 832) da classe trabalhadora, mas  
também estava sabia que “a cooperação dos assalariados é […] um mero efeito do  
capital que os emprega simultaneamente” (MARX, 2017, p. 407). Ele estava  
convencido de que o crescimento extraordinário das forças produtivas sob o  
capitalismo, maior e mais rápido do que em todos os modos de produção  
anteriormente existentes, havia criado as condições para superar as relações  
socioeconômicas que o próprio capitalismo trouxe consigo e, portanto, as condições  
para alcançar a transição para a sociedade socialista.  
Em suma, com base no método dialético que utilizou em O capital, Marx  
sustentava que “os elementos criadores de uma nova sociedade” amadureciam junto  
com “as condições materiais e a combinação social do processo de produção” (MARX,  
2017, p. 571). Esses “pressupostos materiais” são decisivas para a conquista de uma  
“nova síntese, superior” (MARX, 2017, p. 572) e, embora a revolução nunca vá surgir  
apenas através da dinâmica econômica, mas exija sempre também um fator político, o  
advento do comunismo requer “uma base material da sociedade ou uma série de  
condições materiais de existência que, por sua vez, são elas próprias o produto natural-  
espontâneo de uma” (MARX, 2017, p. 154).  
Ideias similares que confirmam a continuidade do pensamento de Marx estão  
contidas em escritos curtos, mas significativos, de caráter político que ele escreveu  
após O capital. Nas notas sobre o livro de Bakunin Estatismo e anarquia (1874), as  
quais documentam suas diferenças radicais com o revolucionário russo sobre as  
premissas para uma alternativa à sociedade capitalista, Marx disse sobre o sujeito  
social que liderará a luta:  
uma revolução social radical está ligada a certas condições históricas  
do desenvolvimento econômico; estas são seu pressuposto. Portanto,  
ela só é possível onde, juntamente com a produção capitalista, o  
proletariado industrial assume no mínimo uma posição significativa na  
massa popular (MARX, 2012, p. 91).  
Na Crítica do Programa de Gotha (1875), ele argumentou ainda sobre a  
necessidade de “demonstrar com precisão de que modo, na atual sociedade capitalista,  
são finalmente criadas as condições materiais etc. que habilitam e obrigam os  
trabalhadores a romper essa maldição histórica” (MARX, 2012, p. 24). Finalmente, em  
um de seus últimos escritos curtos publicados, o “Preâmbulo” (1880) ao programa  
eleitoral do Partido Trabalhador Francês, ele enfatiza que um requisito essencial para  
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a apropriação dos meios de produção pelos produtores é “a forma coletiva, cujos  
elementos materiais e intelectuais são formados pelo próprio desenvolvimento da  
sociedade capitalista” (MARX in MARX; ENGELS, 2010e, p. 341).  
III. O caso russo: os marxistas assim pensavam, não Marx!  
Embora Marx estivesse fortemente convencido de que o capitalismo era uma  
transição essencial para que se criassem as condições históricas com as quais a classe  
trabalhadora pudesse lutar pela transformação comunista da sociedade, ele sempre  
negou veementemente ter concebido uma interpretação monolítica da história,  
segundo a qual os seres humanos seriam destinados a seguir o mesmo caminho em  
todos os lugares do mundo e através de estágios temporais idênticos. Completamente  
oposto a qualquer teoria meta-histórica, entendida como uma marcha universal  
inevitavelmente imposta a todos os povos e desvinculada de uma análise rigorosa dos  
diferentes contextos econômicos e sociais, Marx refutou repetidamente a tese  
erroneamente atribuída a ele acerca da inevitabilidade do modo de produção burguês.  
Ele acreditava que o curso da história não poderia ser imaginado com base em leis  
abstratas, mas deveria ser sempre medido conforme os diferentes contextos existentes.  
A controvérsia acerca da prospectiva do desenvolvimento capitalista na Rússia, em  
geral conhecida através das cartas trocadas entre Vera Zasulich (1849-1919) e Marx,  
fornece evidências claras disso.  
Em novembro de 1877, Marx rascunhava uma longa carta ao comitê editorial  
da Notas patrióticas [Otechestvennye Zapiski], na qual buscava responder um artigo  
tratando do futuro da obshchina na Rússia Karl Marx perante o tribunal do Sr.  
Zhukovsky de autoria do crítico literário e sociólogo Nikolai Mikhailovsky (1842-  
1904)3. Todavia, a carta continha algumas antecipações interessantes dos argumentos  
que Marx usaria mais tarde em sua resposta a Zasulich.  
Numa série de ensaios, Mikhailovsky havia levantado uma questão muito  
semelhante àquela que Zasulich proporia quatro anos depois, apesar de certas  
diferenças. Para Zasulich, o cerne da questão era o impacto que possíveis mudanças  
na comuna rural teriam na atividade de propaganda do movimento socialista.  
Mikhailovsky, por sua vez, estava preocupado em discutir em um nível mais teórico as  
várias posições sobre o futuro da obshchina, alcançando desde a tese dos economistas  
liberais de que a Rússia deveria simplesmente acabar com a obshchina e abraçar um  
regime capitalista, até o argumento de que a comuna poderia se desenvolver mais e  
3
Marx reescreveu a carta algumas vezes, mas no fim ela permaneceu na forma de esboço, com marcas  
de edição, e nunca chegou a ser de fato enviada.  
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evitar os efeitos negativos do modo de produção capitalista sobre a população rural.  
Enquanto Zasulich procurava Marx para descobrir suas opiniões e receber  
conselhos para o trabalho prático, Mikhailovsky, um eminente representante da ala  
mais moderada e liberal do populismo russo, tinha clara inclinação pela segunda tese  
e acreditava que Marx tinha preferência pela primeira. Enquanto Zasulich escreveu que  
“marxistas” estavam argumentando que o desenvolvimento do capitalismo era  
indispensável, Mikhailovsky foi mais longe e reivindicou que o autor desta tese era o  
próprio Marx em O capital.  
Em sua resposta a Mikhailovsky, por meio da carta ao comitê editorial da Notas  
patrióticas, Marx decidiu “falar abertamente” e expressar as conclusões às quais  
alcançara depois de muitos anos de estudo. Ele começou com a seguinte frase: “se a  
Rússia prosseguir no rumo tomado depois de 1861, ela perderá a melhor chance que  
a história já ofereceu a um povo, para, em vez disso, suportar todas as vicissitudes  
fatais do regime capitalista” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 54).  
O primeiro esclarecimento fundamental de Marx dizia respeito às áreas às quais  
havia se referido em sua análise. Ele recordou que, na seção de O capital intitulada A  
chamada acumulação primitiva”, ele procurou descrever como a “dissolução da  
estrutura econômica da sociedade feudal” libertou os elementos da “estrutura  
econômica da sociedade capitalista” na “Europa ocidental”. O processo não ocorreu  
em todo o mundo, portanto, mas apenas no Velho Continente. Marx referiu-se a uma  
passagem na tradução francesa de O capital (1872-75), na qual afirmava que a base  
para a separação dos produtores de seus meios de produção foi a “expropriação dos  
agricultores”, acrescentando que “ela só se realizou de um modo radical na Inglaterra”,  
mas que “todos os outros países da Europa ocidental percorrem o mesmo processo”  
(MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 55)4.  
É também este o horizonte espacial dentro do qual devemos compreender a  
famosa afirmação no prefácio de O capital, v. 1: “o país industrialmente mais  
desenvolvido não faz mais do que mostrar ao menos desenvolvido a imagem de seu  
futuro” (MARX, 2017, p. 78). Escrevendo para um público leitor alemão, Marx observou  
que “atormenta-nos, do mesmo modo como nos demais países ocidentais do  
continente europeu, não só o desenvolvimento da produção capitalista, mas também  
a falta desse desenvolvimento” (MARX, 2017, p. 79). De seu ponto de vista, ao lado  
das “misérias modernas”, os alemães eram afligidos “toda uma série de misérias  
4
Essa adição ao texto original de 1867, que Marx fez ao revisar a tradução francesa do livro, não foi  
incluída por Engels na quarta edição alemã de 1890, que mais tarde se tornou a edição padrão para as  
traduções d’O capital.  
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herdadas, decorrentes da permanência vegetativa de modos de produção arcaicos e  
antiquados, com o seu séquito de relações sociais e políticas anacrônicas” (MARX,  
2017, p. 79)5. Foi para o alemão que poderia “se for tomado por uma tranquilidade  
otimista, convencido de que na Alemanha as coisas estão de longe de ser tão ruins”  
(MARX, 2017, p. 78), que Marx afirmou “De te fabula narratur!(MARX, 2017, p. 78).  
Marx também demonstrava uma abordagem flexível em relação a outros países  
europeus, uma vez que não considerava a Europa como um todo homogêneo. Num  
discurso proferido em 1867 à Sociedade Educacional dos Trabalhadores Alemães em  
Londres, depois publicado no Der Vorbote em Genebra, ele argumentou que os  
proletários alemães poderiam levar a cabo com sucesso uma revolução porque “ao  
contrário dos trabalhadores de outros países, eles não precisam passar pelo longo  
período de desenvolvimento burguês” (MARX in MARX; ENGELS, 2010d, p. 415,  
tradução livre).  
Na carta à redação da Notas patrióticas, Marx partilha da visão de Mikhailovsky  
de que a Rússia poderia “sem experimentar a tortura infligida por esse regime,  
apropriar-se de todos os seus frutos mediante o desenvolvimento de seus próprios  
pressupostos históricos” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 54). Ele acusou  
Mikhailovsky de “metamorfosear totalmente o meu esquema histórico da gênese do  
capitalismo na Europa ocidental em uma teoria histórico-filosófica do curso geral  
fatalmente imposto a todos os povos, independentemente das circunstâncias históricas  
nas quais eles se encontrem” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 56). Continuando seu  
argumento, Marx apontou em sua análise em O capital que a tendência histórica da  
produção capitalista residia no fato de que ela “criou os elementos de uma nova ordem  
econômica, proporcionando ao mesmo tempo o maior impulso às capacidades  
produtivas do trabalho social e ao desenvolvimento integral de todo produtor  
individual” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 55); com efeito, ela estava “baseada de  
fato já num modo de produção coletivo” e não poderia deixar de "transformar-se em  
propriedade social” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 55).  
Mikhailovsky, então, poderia aplicar este esboço histórico à Rússia de apenas  
5
Na edição francesa, Marx restringiu ligeiramente o escopo dessa frase: “o pais mais desenvolvido  
industrialmente não faz senão mostrar seu futuro aos países que seguem o caminho da industrialização”  
(MARX, 1989, p. 12, tradução livre). Em Provincializing Europe (2000), Dipesh Chakrabarty interpreta  
equivocadamente essa passagem como um típico exemplo do historicismo segundo o qual “primeiro na  
Europa, depois nos demais lugares” (CHAKRABARTY, 2000, p. 7). Ele apresenta ainda as “ambiguidades  
na prosa de Marx” (CHAKRABARTY, 2000, p. 65) como características daqueles que viam a “história  
como a sala de espera, o período necessário para a transição para o capitalismo em qualquer época ou  
lugar. Esse é o período que ao qual […] o terceiro mundo está frequentemente consignado”  
(CHAKRABARTY, 2000, p. 65). De todo modo, em The fetish of the West in postcolonial theory, Neil  
Lazarus apontou com precisão que “nem toda narrativização da história é teleológica ou ‘historicista’”  
(LAZARUS, 2002, p. 63).  
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uma maneira: se a Rússia tendia “a tornar-se uma nação capitalista a exemplo das  
nações da Europa ocidental” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 56) e na visão de  
Marx, ela estava se rumando muito nessa direção nos últimos anos ela não seria  
bem-sucedida “sem ter transformado, de antemão, uma boa parte de seus camponeses  
em proletários” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 56); subsequentemente, “uma vez  
levada ao âmago do regime capitalista, terá de suportar suas leis impiedosas como os  
demais povos profanos” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 56).  
Marx estava mais aborrecido porque pensava que seu crítico se propunha a  
“transformar [o seu esboço histórico] da gênese do capitalismo na Europa Ocidental  
numa teoria histórico-filosófica universal” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 56). Ele  
acrescentou com um toque de sarcasmo: “Porém, peço-lhe desculpas. (Sinto-me tão  
honrado quanto ofendido com isso).” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 56)  
Assim, Mikhailovsky, que não conhecia bem a real posição teórica de Marx,  
criticou-a de uma maneira que parecia antecipar um dos pontos cardeais do marxismo  
do século XX, que já se espalhava insidiosamente entre os seguidores de Marx na  
Rússia e noutros locais. A crítica de Marx a esta concepção era tanto mais importante  
porque se referia não só ao presente, mas também ao futuro (cf. POGGIO, 1978, p.  
148). No entanto, ele nunca publicou esta resposta6 e a ideia de que Marx considerava  
o capitalismo como um estágio obrigatório também para a Rússia rapidamente se  
impôs, tendo gerado consequências graves para o que se tornou o marxismo na Rússia.  
Um mal-entendido similar aconteceu com Vera Zasulich. Grande admiradora de  
Marx, ela queria saber se ele conhecia a influência que tivera sobre os camaradas  
russos nas “discussões sobre a questão na Rússia agrária e sobre a comuna rural”  
(ZASULICH in MARX, 2013, p. 65). Ela enfatizou que ele, “melhor do que ninguém”,  
poderia entender a urgência do problema – uma “questão de vida ou morte” para os  
revolucionários russos – e acrescentou que “até mesmo o nosso destino pessoal como  
socialistas revolucionários” (ZASULICH in MARX, 2013, p. 66) dependeria de seu  
posicionamento. Zasulich então resumiu os dois pontos de vista diferentes que  
surgiam nas discussões:  
A comuna rural, liberada das exigências desmesuradas do fisco, dos  
6
Já se fizeram várias tentativas de se explicar porque Marx não publicou sua resposta a Mikhailovsky.  
Quando, em 1885, Engels a encaminhou “Aos editores do Severny vestnik, ele afirmou que a carta não  
fora publicada “por razões [por ele] desconhecidas” (ENGELS in MARX; ENGELS, 2010f, p. 311).  
Entretanto, um ano mais tarde, em uma carta a Vera Zasulitch, ele disse que “esta foi a resposta que  
ele escreveu; ela carrega a marca de uma peça escrita para publicação em russo, mas ele nunca a enviou  
a Petesburgo temendo que a mera menção de seu nome pudesse comprometer a existência do periódico  
que publicasse sua resposta” (ENGELS in MARX; ENGELS, 2010g, p. 112). Devemos apontar que não  
há prova alguma de que o periódico estaria ameaçado caso contivesse um texto de Marx em suas  
páginas.  
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Marx sobre a centralidade das periferias para a revolução global  
pagamentos aos donos das terras e da administração arbitrária, é  
capaz de se desenvolver pela via socialista, quer dizer, de organizar  
pouco a pouco sua produção e distribuição de produtos sobre bases  
coletivistas. Nesse caso, o socialista revolucionário deve envidar todos  
os seus esforços em prol da libertação da comuna e de seu  
desenvolvimento. Mas se, pelo contrário, a comuna está destinada a  
perecer, ao socialista como tal não resta outra coisa senão dedicar-se  
a cálculos mais ou menos mal fundamentados para descobrir em  
quantas dezenas de anos a terra do camponês russo passará de suas  
mãos para as da burguesia, em quantas centenas de anos, talvez, o  
capitalismo atingirá na Rússia um desenvolvimento comparável ao da  
Europa ocidental. Eles deverão, portanto, fazer a propaganda apenas  
entre os trabalhadores das cidades que por sua vez serão  
continuamente inundadas pela massa de camponeses, a ser lançada  
em seus paralelepípedos em busca de salário, como consequência da  
dissolução da comuna. (ZASULICH in MARX, 2013, p. 66)  
Zasulich salientou posteriormente ainda que alguns dos envolvidos no debate  
argumentavam que “a comuna rural é uma forma arcaica, condenada à morte, como se  
fosse a coisa mais indiscutível, pela história, pelo socialismo científico” (ZASULICH in  
MARX, 2013, p. 66) e, em suma, por tudo o que está acima de debate. Aqueles que  
defendiam esta visão chamavam-se de “discípulos por excelência” de Marx: “marxistas”  
(ZASULICH in MARX, 2013, p. 66). O seu argumento mais forte era muitas vezes: “foi  
Marx quem disse isso” (ZASULICH in MARX, 2013, p. 66). Por essa razão, ela dirigiu  
um apelo sincero a Marx para que expusesse suas “ideias sobre o possível destino de  
nossa comuna rural e sobre a teoria da necessidade histórica de que todos os países  
do mundo passem por todas as fases da produção capitalista(ZASULICH in MARX,  
2013, p. 66).  
Por cerca de três semanas, Marx permaneceu imerso nos seus documentos,  
ciente de que tinha de dar resposta a uma questão teórica altamente significativa e  
expressar a sua posição sobre uma questão política crucial. Ele não excluía a  
possibilidade de que a comuna rural fosse se desintegrar e terminar sua longa  
existência. Mas se isso acontecesse, não seria por causa de alguma predestinação  
histórica. Referindo-se aos seus autodeclarados seguidores que argumentavam que o  
advento do capitalismo era inevitável, ele comentou com Zasulich com o seu típico  
sarcasmo: “os ‘marxistas’ russos de que falais me são desconhecidos. Os russos com  
os quais tenho relações pessoais, ao que eu saiba, têm pontos de vista totalmente  
opostos” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 85).  
Para Marx, a obshchina russa não estava predestinada a sofrer o mesmo destino  
que formas semelhantes da Europa Ocidental em séculos anteriores, onde a “transição  
da sociedade fundada sobre a propriedade comum para a sociedade fundada sobre a  
propriedade privada” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 91) foi mais ou menos  
uniforme. À questão se isso era inevitável na Rússia, Marx respondeu secamente: “de  
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modo algum” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 91). A Rússia poderia não repetir  
servilmente todos os estágios históricos percorridos pela Inglaterra e outros países da  
Europa Ocidental. Logicamente, portanto, até a transformação socialista da obshchina  
poderia acontecer sem que fosse necessário passar pelo capitalismo.  
No final, Marx pensou ser necessário avaliar o momento histórico em que se  
considerava essa hipótese. A “melhor prova” de que um desenvolvimento socialista da  
comuna rural estava seguindo a “corrente histórica da época” (MARX in MARX; ENGELS,  
2013, p. 81) era “a crise fatal sofrida pela produção capitalista nos países europeus e  
norte-americanos, onde ela mais avanço” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 81).  
Tirando inspiração das ideias sugeridas pela obra-prima A sociedade antiga (1877) do  
antropólogo Lewis Henry Morgan, ele esperava que a crise econômica então em curso  
poderia criar condições favoráveis para a “eliminação” do capitalismo e “o retorno da  
sociedade moderna a uma forma superior de um tipo mais arcaico: a produção e  
apropriação coletiva” (MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 81).  
IV. Mas ainda Marx  
A abertura de Marx para a possibilidade do começo da revolução em regiões  
onde o capitalismo ainda estava em estágio nascente é um exemplo positivo da sua  
flexibilidade teórica e ajuda a compreender porquê, no final de sua vida, ele se  
concentrou consistentemente nos países periféricos e nos efeitos devastadores do  
colonialismo europeu.  
No entanto, é fundamental enfatizar que ele nunca deixou de priorizar as lutas  
do movimento Trabalhador e de reconhecer o papel primário do proletariado  
industrial. Ele [Marx] não havia mudado seu complexo julgamento crítico sobre as  
comunas rurais na Rússia, e a importância do desenvolvimento individual e da  
produção social permaneceu intacta na sua análise. Ele não se convenceu subitamente  
de que as comunas rurais arcaicas eram um locus de emancipação mais avançado para  
o indivíduo do que as relações sociais existentes sob o capitalismo. Ambas  
permaneciam distantes de como ele concebia a sociedade comunista.  
Os conhecidos rascunhos da carta de Marx a Zasulich7 não mostram quaisquer  
indícios da ruptura dramática com suas posições anteriores que detectam alguns  
estudiosos8. Marx não sugeriu como questão de princípio teórico que a Rússia, ou  
7 Para uma análise desses textos complexos, fragmentários e incompletos, cf. Musto (2020, pp. 65-73).  
8
Ver as interpretações de Wada em “Marx e a Rússia revolucionária” em Marx tardio e a via russa  
(SHANIN, 2017), onde o autor argumenta que os rascunhos apontam para uma “mudança marcante”  
(WADA in SHANIN, 2017, p. 110) desde a publicação de O capital em 1867. De forma semelhante,  
Enrique Dussel, em El último Marx (1863-1882) y la liberación latinoamericana falou de uma “mudança  
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Marx sobre a centralidade das periferias para a revolução global  
outros países onde o capitalismo ainda estava subdesenvolvido, deveriam tornar-se o  
local especial para a eclosão da revolução; tampouco pensava que os países com um  
capitalismo mais atrasado estivessem mais próximos do objetivo do comunismo do  
que outros países com um desenvolvimento produtivo mais avançado. Em sua opinião,  
insurreições esporádicas ou lutas de resistência não devem ser confundidas com o  
estabelecimento de uma nova ordem socioeconômica sob bases comunistas. A  
possibilidade que considerou em um momento demasiado particular da história da  
Rússia, quando surgiram oportunidades favoráveis para uma transformação  
progressiva das comunas agrárias, não poderia ser elevada a um modelo mais geral.  
A Argélia dominada pela França ou a Índia britânica, por exemplo, não apresentavam  
as condições especiais que Tchernyshevsky identificara, e a Rússia do começo da  
década de 1880 não poderia ser comparada com o que possivelmente se daria ali no  
futuro. O novo elemento no pensamento de Marx foi uma abertura teórica cada vez  
maior, que lhe permitiu considerar outros caminhos possíveis para o socialismo que  
nunca antes levara a sério ou que considerara inatingíveis9.  
Marx e Engels efetivamente expressaram seus pontos de vista sobre a relação  
entre os trabalhadores [workers] e os camponeses para a revolução mundial no  
prefácio da nova edição russa do Manifesto do partido comunista em 1882:  
[…] na Rússia vemos que, ao lado do florescimento acelerado da  
velhacaria capitalista e da propriedade burguesa que começa a  
desenvolver-se, mais da metade das terras é posse coletiva dos  
camponeses. O problema agora é: poderia a obchtchina russa forma  
já muito deteriorada da antiga posse em comum da terra –  
transformar-se diretamente na propriedade comunista? Ou, ao  
contrário, deveria antes passar pelo mesmo processo de dissolução  
que constitui a evolução histórica do Ocidente? Hoje em dia, a única  
resposta possível é a seguinte: se a revolução russa constituir-se no  
sinal para a revolução proletária no Ocidente, de modo que uma  
complemente a outra, a atual propriedade comum da terra na Rússia  
de rumo” (DUSSEL, 1990, pp. 260; 268-9), e Tomonaga Tairako, em Marx on capitalist globalization,  
argumentou que Marx “mudo[u] sua perspectiva sobre a revolução global conduzida pela classe  
trabalhadora” (TAIRAKO, 2003, p. 12). Outros autores sugeriram uma leitura “terceiro-mundista” do  
último Marx, na qual o sujeito revolucionário não é mais o trabalhador fabril, mas as massas no campo  
e na periferia. Reflexões e interpretações variadas sobre essas questões também podem ser encontradas  
em Umberto Melotti, Marx and the third world (1977) e Kenzo Mohri, Marx and underdevelopment  
(1979).  
9
Conferir o excelente trabalho de Marian Sawer, Marxism and the question of the Asiatic mode of  
production: “Particularmente na década de 1870, o que ocorreu não foi que Marx mudou de ideia sobre  
o caráter das comunidades aldeãs ou que decidiu que elas poderiam ser a base do socialismo tal como  
eram; em vez disso, ele passou a considerar a possibilidade de que as comunidades pudessem ser  
revolucionadas não pelo capitalismo, mas pelo socialismo. […] Ele parece ter alimentado seriamente a  
esperança de que, com a intensificação da comunicação social e da modernização dos métodos de  
produção, o sistema das aldeias poderia ser incorporado a uma sociedade socialista. Em 1882, isso  
ainda parecia a Marx uma alternativa genuína à completa desintegração da obshchina sob o impacto do  
capitalismo.” (SAWER, 1977, p. 67)  
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poderá servir de ponto de partida para uma evolução comunista  
(MARX in MARX; ENGELS, 2013, p. 103).  
A primeira faísca poderia ter aparecido em Pequim ou Nova Déli, mas o fogo  
também se espalharia por Londres e Paris.  
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Marx sobre a centralidade das periferias para a revolução global  
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Paulo: Editora Popular, 2017.  
Como citar:  
MUSTO, Marcello. Marx sobre a centralidade das periferias para a revolução global.  
Verinotio, Rio das Ostras, v. 31, n. 1, pp. 496-509; jan.-jun., 2026.  
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